
O Eu Observador
10/06/2008Uma das coisas que percebi, ao longo dos anos, é que o nosso mental necessita ser apaziguado e que, só assim, conseguimos meditar realmente. A meditação, em todas as tradições, sempre foi um meio de se atingir o contato com faixas transpessoais – supra-mentais (que transcendem, abarcam, envolvem o mental). Ao atingirmos estes níveis de consciência, passamos a expressar nosso estado original, conhecido como o ‘Ser que Eu Sou’ (o Cristo ou o Buda que somos potencialmente).
Na medida em que resgatamos a consciência do Ser tornamos os trabalhos de conhecimento de si (agora falo do ‘si’ egóico e suas mascaras ou ‘personas’, de onde surge a palavra personalidade) e transformação de si mais eficazes. Quando nos abrimos para o Ser que Somos, nos Recordando da nossa Real Natureza, tornamos mais consistente o trabalho psicológico (não importa a Escola).
O Ser é o ‘ponto mais alto’ e seguro para a observação não identificada de si mesmo (ego). Com a prática da Recordação de Si, resgatamos, nos aproximamos do estado de consciência objetiva. Assim sendo, o Ser assume a função do Observador que não julga, não critica, apenas constata. A Visão do Ser é não identificada, fiel, sábia, amorosa e, principalmente, curativa.
Isto é muito diferente da superficial capacidade de ‘observação do ego’, conhecido no 4º Caminho como ‘eu observador’. O ego tem a capacidade de se dividir, podendo assim observar-se, separando o lado ‘positivo’ do ‘negativo’, ambos egóicos. O lado ‘bom’ domina, controla o lado ‘ruim’: esta é a proposta das religiões ou, para os céticos, da neurolingüística, ou seja, uma simples mudança de um padrão mecânico ‘ruim’ para outro, igualmente mecânico, ‘bom’. Claro que isso é melhor do que nada e, via de regra, é um passo preliminar até que se consolide o verdadeiro ‘Eu Observador’.
Amir Ashtaran
